Coragem de Ser – Dora L. Alcantara.

.

A felicidade é uma conquista interna.
Tenho a indescritível sensação de poder!
Todas as possibilidades eu tenho.
Amo e assim tenho,
e não tenho,
e assim amo.
O mundo é meu,
basta lançar-me,a despeito do medo.
É impossível não se contagiar
com quem tem coragem,
quem vai,
quem ousa,
quem faz.
É como se tudo estivesse dentro de mim
e quer agir, criar, eclodir.
É como o amor,
como a paixão,
não dá pra conter, reter ou atar.
Tem que se viver!
Também é triste,
muito triste,
não poder levar comigo todos que amo!
O caminho é certo e aberto,
mas só vai quem viu,
quem achou,
quem sorriu,
quem possuiu!
Quem aprendeu a amar,
a desejar,
a sonhar,
e assim,
poder conquistar!

.

Poema da Duvida – Cecilia Meireles.

Nesta sombra em que vivo,
Sonho que me apareceras,
Numa hora extática…
E ando a esperar-te, noite por noite…
Sonho que te hei de ver,
Todo vestido de oiro,
Com os cabelos carregados de estrelas
E as mãos enfeitadas de luas…
Sonho que desceras a ver-me,
De tanto me ouvires
Cantar e louvar
O teu nome…
Nesta sombra em que vivo,
De te evocar,
É como se já tivesses vindo…
Como se houvesse visto os teus olhos,
Que devem ser a própria alma da luz…
Como se houvesse adorado o teu coração,
Onde morrem todos os corações que viveram
E de onde nascem todos os corações…
Nesta sombra em que vivo,
Sofro por seres assim irreal,
Assim tão além do que se pode pensar…
Sofro porque nem sei
Quando haverá, nos meus olhos,
Luz com que te veja
E com que te adore…
Nesta sombra em que vivo,
Por que me não apareces,
Numa hora extática,
Se sabes que te ando a esperar,
Noite por noite!…

O Quereres – Caetano Veloso.

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock?n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em ti é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente impessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim

Dentro e Fora.

Fora de mim existe alguém que mente,
Dentro de mim um outro que desmente.

Dentro de mim alguém não quer falar,
Fora de mim há outro a matracar.

Fora de mim há um cego que eu disparo,
Dentro de mim há alguém que enxerga claro.

Dentro de mim alguém se esconde triste,
Fora de mim há um riso que persiste.

Fora de mim disfarçam-se meus medos,
Dentro de mim desvendam-se os segrêdos.

Dentro de mim há todo um universo,
Fora de mim bobagens que eu disperso.

Fora de mim é tudo fantasia,
Dentro de mim alguém silencia.

Dentro de mim os sentimentos falam,
Fora de mim as convenções os calam.

Fora de mim há falsas liberdades,
Dentro de mim alguém que força as grades.
. . .
Longa demais seria a descrição
Do alguém de dentro e deste alguém de fora,
Então só deixo meia confissão
Nos bobos versos desta boba hora.

Metade – Oswaldo Montenegro.

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza

Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade não sei

Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é a canção

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Eu Te Amo – Chico Buarque.

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar,
fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás só fazendo de conta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

O Doce Sabor de uma Mulher Deslumbrante.

Uma mulher deslumbrante
não é aquela que mais
homens tem a seus pés.

Mas sim aquela que tem
apenas um que a faça
realmente feliz.

Uma mulher formosa não
é a mais jovem.
Nem a mais frágil, nem aquela
que tem a pele mais sedosa ou
o cabelo mais chamativo.

É aquela que com apenas
um sorriso franco e aberto
e um bom conselho pode
alegrar-te a vida.

Uma mulher de valor não,
é aquela que tem mais
títulos ou cargos academicos,

E sim aquela que sacrifica
seus sonhos temporariamente
para fazer felizes os demais.

Uma mulher deslumbrante não
é aquela mais ardente e sim a
que vibra ao fazer amor somente
com o homem que ama.

Uma mulher deslumbrante não
é aquela que se sente adulada
e admirada por sua beleza e
elegancia,

E sim aquela mulher firme
de caráter.
Que pode dizer “Não”.

E um Homem…

Um homem deslumbrante
é aquele que valoriza uma
mulher assim…

Que se sente orgulhoso de
tê-la como companheira…

Que sabe acaricia-la como
um músico virtuoso toca
seu amado instrumento…

Que luta a seu lado compartilhando
todas as suas tarefas, desde lavar
pratos e preparar a mesa, até
devolver as massagens e o carinho
que ela te proporcionou antes.

A verdade, companheiros homens
é que as mulheres com mania de
serem “mandonas” não levam
vantagens…

Que tolos temos sido e somos
quando valorizamos um presente
somente pela vistosidade do pacote…

Tolo e mil vezes tolo o homem que
come sobras na rua, tendo um
deslumbrante manjar em casa!

Esse texto é para as mulheres
deslumbrantes para reforçar
sua auto estima e para os homens
para que meditem sobre isto.

Gabriel Garcia Marquez.