Desejo – C.Cecilia.

Quando acordo e te vejo,
Quando aflora o desejo,
Vem insinuante. Latejante!
mesclado com tons. . .sons!
Emaranhados de cores e sabores…
Que desatinam…
E me percorrem…
Com suaves toques…
Um leque de arco-íris.
Sua cadencia…
Cadencía-me!
Eloquência em sequência…
Que emanam,
sequestram os sentidos.
Não se enganam, modelam o expressar…
margeiam a pele arrepiada,
os corpos que correspondem… olhos e bocas
que não escondem esse clarão lampejo!
Num refrão contínuo,
O suor mesclado…
maquiando esse todo colorido…
A roçar no ouvido…
linguas misturando-se nesta viagem…
Em que portos atracam?
Neste desejo ronco…
Neste ritmo louco,
que aos poucos vão arrefecendo.
Saciam os impulsos!!!
E enfim adormecidos…
Descansam os sentidos.

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Limites Do Amor.

Condenado estou a te amar
nos meus limites
até que exausta e mais querendo
um amor total, livre das cercas,
te despeça de mim, sofrida,
na direção de outro amor
que pensas ser total e total será
nos seus limites da vida.

O amor não se mede
pela liberdade de se expor nas praças
e bares, em empecilho.
É claro que isto é bom e, às vezes,
sublime.
Mas se ama também de outra forma, incerta,
e este o mistério:

– ilimitado o amor às vezes se limita,
proibido é que o amor às vezes se liberta.

Razões de Amor – J.G. De Araujo Jorge.

Gosto de ti desesperadamente,
dos teus cabelos de tarde onde mergulho o rosto,
dos teus olhos de remanso onde me morro e descanso;
dos teus seios de ambrosias, brancos manjares trementes
com dois vermelhos morangos para as minhas alegrias;
de teu ventre, uma enseada, porto sem cais e sem mar
branca areia à espera da onda que em vaivém vai se espraiar;
de teu quadris, instrumento de tantas curvas, convexo,
de tuas coxas que lembram as brancas asas do sexo;
do teu corpo só de alvuras , das infinitas ternuras
de tuas mãos, que são ninhos de aconchegos e carinhos,
mãos angorás, que parecem que só de carícias tecem
esses desejos da gente…
Gosto de ti desesperadamente;
gosto de ti, toda, inteira nua, nua, bela, bela,
dos teus cabelos de tarde aos teus pés de Cinderela,
(há dois pássaros inquietos em teus pequeninos pés)
gosto de ti, feiticeira, tal como tu és…

O Verbo Amar – J.G.de Araújo Jorge.

Te amei: era de longe que te olhava
e de longe me olhavas vagamente…
Ah, quanta coisa nesse tempo a gente sente,
que a alma da gente faz escrava.

Te amava: como inquieto adolescente,
tremendo ao te enlaçar, e te enlaçava
adivinhando esse mistério ardente
do mundo, em cada beijo que te dava.

Te amo: e ao te amar assim vou conjugando
os tempos todos desse amor, enquanto
segue a vida, vivendo, e eu, vou te amando…

Te amar: é mais que em verbo é a minha lei,
e é por ti que o repito no meu canto:
te amei, te amava, te amo e te amarei!

Que me venha esse homem!

Que me venha esse homem
Depois de alguma chuva
Que me prenda de tarde
Em sua teia de veludo
Que me fira com os olhos
E me penetre em tudo

Que me venha esse homem
De músculos exatos
Com um desejo agreste
Com um cheiro de mato
Que me prenda de noite
Em sua rede de braços

Que me venha com força
Com gosto de desbravar
Que me faça de mata
Pra percorrer devagar
Que me faça de rio
Pra se deixar naufragar

Que me salve esse homem
Com sua febre de fogo
Que me prenda no espaço
De seu passo mais louco
Que me venha esse homem

Que me arranque do sono
Que me venha esse homem
Que me machuque um pouco.

Os Amantes!

Os amantes, em geral,
passam noites inteiras
inquietos e ansiosos
– também eu.

Os amantes, em geral,
choram sobre as cartas,
dão telefonemas aflitos
– como eu.

Os amantes, em geral,
passam horas figurando
o corpo amado,
curvas, gestos, preferências
– como eu.

Os amantes em geral,
são patetas, maus estetas,
fazem versos ruins
e se chamam poetas
– como eu.