Crônica… Um “Insight”.


Ë engraçado como certas pessoas têm um “insight “diferente e lindo sobre a vida. Tenho por hábito assistir o programa Globo News Literatura, aos sábados pela manhã. Hoje foi a vez do poeta e escritor gaúcho, Fabrício Carpinejar.

Seu novo livro “Mulher Perdigueira”, traz coisas interessantes à nossa memória, que nesses tempos, esqueceu-se de que uma mulher tem de saber onde cai o raio.

Ocupadas como nos tornamos com tudo, e com todos, nos abstivemos de coisas corriqueiras que nos davam um prazer iniguilável e único; o preocupar-se com o outro e não os outros.

Então, comecei a pensar em tudo o que nós, mulheres , ganhamos e também no que perdemos,com todos os avanços nas relações inter -pessoais.

Mulher perdigueira , no entender de Fabrício é aquela mulher que fareja o que possivelmente pode acontecer, e com ciúme de que aconteça, não descuida, evitando o pior. Um homem que é macho “che”precisa enxergar que essa mulher perdigueira, farejadora, cuida, tem zêlo, se antecipa, e no seu carinho e lealdade, preenche o seu vazio existencial, porque não tem medo de mostrar que o ama e o quer, mais que tudo. Sem medo de expor sua fragilidade e força no amor. Essa mulher deveria fazer um homem sentir-se mais homem e mais amado, e não assustá-lo. Pois não há coisa mais assustadora no amor, do que o “laissez faire”, o descuido, o não se ocupar com o outro, com nada.

Engraçado, é que ninguém mais quer mostrar a intensidade do seu amor, e fica todo mundo brincando de que não se importa,quando o desejo interior é se importar muito e em todos os momentos. No amor como na dor, faz –se necessário passar recibo.

Essa mulher que ama muito, sabe que desejo pensa, dá liberdade , e , se permite amar sem regras bobas que imperam neste mundo com tudo de cabeça pra baixo, e a modernidade nos levando a crer e aceitar que estar apaixonada, é sinônimo de fraqueza .

Contudo, realmente é a maior força a mover o viver, o ser e o ter. A paixão é movida pelos sonhos, e os sonhos engravidam o desejo. O desejo move o nosso mundo interior e o mundo exterior.

Mulheres e homens têm de resgatar aquela coisa atávica de sentir-se bem em sua casa, dentro de sua história. Casa precisa ter história. Assim como as relações que habitam dentro dela. Essa maluquice de mudar tudo a cada estação, não nos deixa amar nosso canto, nossas paredes, nosso chão.nossos amados, nem nossos amantes.

A cada mudança nos desfazemos de nossas memórias. Aquelas que fazem de nós o que somos hoje e que farão o que seremos amanhã. Quem não têm consciência da própria história, como entenderá o mundo, o outro ?

Homens precisam entender como disse nosso poetinha “Vinicius”; que a mulher tem de ter qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudades.

Mulheres e homens não são iguais. Mulheres reconhecem sentimentos e emoções primeiro que os homens.

E sentem ciúmes de maneiras diferentes. Ele tem ciúme sexual. Ela teme perdê-lo para outra , teme que ele se envolva emocionalmente, seu ciúme é afetivo.

A mulher quando faz amor,enrola na mesma teia um “cocktail” de coisas ; o passado, o presente, o futuro, os lençóis, o “ abajour” , as palavras que ouviu, os seus ais. E até o silêncio. Flutua , após o orgasmo ,como uma gata em teto de zinco quente, nas notas da canção que ama.

O homem ama o momento e o diz abertamente.

Há que se ter zelo para com o amado, essa relação do ficar sem se envolver é a coisa mais covarde que pode existir, e a sensação de liberdade que alguns dizem sentir, é a sensação mais vazia e boba.Liberdade pra que?

Se nosso nirvana idealizado é amar e ser amado por alguém que toque as cordas certas do nosso coração?

Se o não envolvimento tivesse alguma valia, todos estariam felizes e sem estresse algum, vivendo no Paraíso.

Isso me leva à uma passagem do Pequeno Prïcipe quando soube que as pessoas economizavam tempo …e ele disse à raposa: – Se eu tivesse tempo, eu o gastaria caminhando calmamente , mãos nos bolsos , em direção à uma fonte…

Economizar no amor, nas emoções, nos sentimentos, na preocupação e no cuidado com o ser amado é não entender nada das aflições e alegrias do amor.

Não tem jeito, o tempo que eu perco com alguém é que me faz amá-lo.

Felizes os que sabem dar valor a sensação de aperto no peito ou euforia total de uma paixão. Sem isso não haveria poetas, nem canções maravilhosas, nem mistério envolvendo dois seres que se cruzam , se entendem e se completam entre milhares de outros, de uma maneira única e indivizível.

Viva a “mulher perdiqueira”que norteia seu agir pelo sua intuição e emoção…são as famosas mulheres que correm com os lobos.

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Satisfatório! Muito obrigada.

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