Fendas no coração!

Quando nascemos nosso coração é inteiro. Fechado, envolto, é aos pouquinhos que vai se abrindo e aprendendo o que é o amor e a dor.
Com o passar dos anos vamos nos entregando às paixões, às esperanças, às expectativas de encontrar a felicidade. E as decepções chegam… e o fechamos!
Nosso erro é fechá-lo com mágoas por dentro, com as feridas que, sem ar, sem a possibilidade de carinho que entre, possam cicatrizar. Por isso pessoas amarguradas podem ficar assim até a morte. É preciso deixar uma fenda onde as tristezas possam se evacuar, onde elas liberem lugar para que o amor entre novamente. Só que é preciso ter o cuidado para não deixar uma fenda grande demais!…
Um coração cansado e carente é uma presa fácil. Pessoas que vivem desgastadas por uma vida inteira onde os sonhos parecem já não mais existir, podem confundir com amor a necessidade de sentir de novo emoção e paixão. Pessoas que encontram a sua alma-gêmea no momento exato que se sentem fragilizadas precisam ter o cuidado para não cair nessa armadilha.
Sei que é difícil ser objetivo nessas horas. A monotonia do nosso dia pode fazer com que vejamos as coisas de fora bem mais bonitas do que são realmente. Há um momento onde queremos voltar no tempo da adolescência e sonhar de novo com um grande amor, queremos paixão, queremos sentir de novo o coração batendo mais forte, queremos a dor no estômago da espera de um encontro marcado, a felicidade misturada com ansiedade ou não sei o quê. Nessas horas deixamos uma fenda grande demais no coração e um pouco de atenção, uma palavra carinhosa ou um gesto gentil podem entrar e tomar forma de amor, que na realidade amor nao é: é necessidade! Necessidade de reviver.
Sei como dói ouvir coisas assim, porque então tudo parece ainda mais sem sentido. Só nós sabemos o que vai por dentro do nosso peito. E, portanto… deixe o tempo passar… a pessoa perfeita já não será assim tão perfeita, o grande amor que chegou já não vai parecer assim tão grande. Quando estamos nos afogando é fácil segurar a primeira tábua que nos cai nas mãos, mas isso pode ser apenas um meio da gente nadar até a praia para ver novos horizontes.
Uma vida mal resolvida não encontra soluções mágicas em um amor que acabou de chegar. Cada coisa no seu tempo.
Antes de deixar entrar alguém pela fenda do seu coração, jogue fora sua infelicidade.

Faça faxina interna, coloque ordem, resolva sua vida. Depois siga em frente… um amor verdadeiro talvez te espere do outro lado, mas então você vai saber que não o tem por carência, mas porque a vida resolveu te dar uma segunda chance.
Pense nisso…

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Gostar e Amar.

Entre gostar e amar existe uma grande diferença. Primeiro, existe aquele amor natural, que é o que sentimos pelos nossos pais, irmãos, parentes e amigos queridos. Isso é amor, sem dúvida. Assim como é amor o que nos liga a Deus, de um amor diferente, especial.

Mas entre gostar de uma pessoa em especial e amar existe uma diferença. Gostamos de muitas coisas: de praia, de sol, de poesia, de sorvete e lua cheia. E gostamos também de certas pessoas sem que isso vá mais além. Quando gostamos, não pensamos o tempo todo naquilo que gostamos. Pensamos quando sentimos saudade, vontade, necessidade. Mas quando amamos alguém… isso é mais que gostar, é mais que gostar muito, é amar. Pensamos o tempo todo na pessoa, com exceção dos momentos em que estamos muito ocupados com outras coisas, mas enquanto isso o ser amado fica lá, quietinho, esperando e basta um minuto de tranqüilidade e ele reaparece, mais que isso, nos ultrapassa. Gostar não dói. Amar dói quase sempre. Gostamos das coisas que nos proporcionam um bem-estar momentâneo, mas amamos a quem nos dá um sentimento duradouro de felicidade. Ninguém pode saber se gostamos de algo ou alguém se não manifestarmos isso claramente, com ações ou atitudes. Mas, êta bichinho traiçoeiro que é o amor! Ele se mostra! Sabemos reconhecer alguém que está amando, porque é alguém transformado. É isso, o amor transforma uma pessoa, faz com que mude de semblante, de atitudes. O amor nos molda e os sintomas são característicos para todos os que amam.

Muitas vezes preferimos dizer que gostamos de alguém, mesmo quando o sentimento é muito mais forte, vai muito além disso. Talvez seja pela dificuldade em assumir esse amor. Dizer “eu gosto de você” compromete muito menos que “eu te amo”. Nesse caso o gostar é até amar, mas é necessário que o outro compreenda isso… o que nem sempre acontece.

Gostar de algo ou de alguém é importante e nosso coração pode ser dividido em mil pedaços. Mas amar alguém ocupa todo o nosso espaço. É involuntário. É escolha do nosso coração.E este amor é aquele que dura, a não ser que um dia ele mesmo resolva cair no próprio esquecimento, mas não sem deixar para trás marcas e cicatrizes para que no fundo a gente nunca se esqueça de que um dia esteve presente!…

Erga-se!

Sabe aquele momento que a gente pensa
que chegou no limite das próprias forças
e que não vai mais conseguir avançar?

Quando não contemos as lágrimas
(e nem devemos!)
e tudo parece um grande vazio…

Esse momento que, não importa a nossa idade,
pensamos que já é o fim…
e um desânimo enorme toma conta da gente…

Esse momento, ao contrário do que parece,
é justamente o ponto de partida!!!

Se chegamos a um estado
em que não avançamos mais,
é que devemos provavelmente tomar uma outra direção.

Quando chegamos a esse ponto de tal insatisfação
é sinal de que alguma coisa deve ser feita.

Não espere que os outros construam pra você,
planeje e faça!

Você é responsável pelos próprios sonhos
e pela realização destes.
Nas obras da vida não precisamos
de arquitetos para planejar por nós.
Com um pouco de imaginação e um muito
de boa vontade podemos reconstruir sozinhos
a casa que vamos morar e o futuro que nos oferecemos.

É humano se sentir fragilizado às vezes
e mesmo necessário para que tenhamos
consciência que não somos infalíveis,
não somos super-heróis, mas seria desumano
parar por aí. E injusto. Para os outros,
mas principalmente para consigo mesmo.

Recomeçar é a palavra!
Recomeçar cada vez, a cada queda, a cada fim de uma estrada! Insistir!…

Se alguém te feriu, cure-se!

Se te derrubaram, levante-se!

Se te odeiam, ame!

Erga-se! Erga a cabeça!

Olhando pra baixo só podemos ver os próprios pés.
É preciso olhar pra frente.

Plante uma árvore, faça um gesto gentil,
tenha um atitude positiva.
É sempre possível fazer alguma coisa!

Não culpe os outros pelas próprias desilusões,
pelos próprios fracassos.
Se somos nossos próprios donos para as nossas vitórias,
por que não seríamos para as nossas derrotas?

Onde errou, não erre mais!
Onde caiu, não caia mais!
Se você já passou por determinado caminho,
deve ter aprendido a evitar certas armadilhas.

Então, siga!

Dê o primeiro passo… depois caminhe!!!

Tenho certeza que a felicidade não mora ao seu lado,
nem à sua frente, ela está junto de você!

Descubra-se, faça-se feliz!!!!

As Razões do Coração.

O coração pensa. Pensa sim, embora muitos achem que não. Ele apenas não reflete…

Entre pensar e refletir existe uma distância enorme. Quem pensa, pensa; quem reflete, mede conseqüências. E conseqüência é uma palavra que o coração desconhece.

Se o próprio amor conhece mil razões para se deixar levar pelo barco da situação, o coração, este, conhece milhares delas. Mesmo se nem disso ele é consciente. Ele sente e pronto.

Futuro? O que é o futuro? Ta tão distante que a vista não alcança; passado, desconhecido. O que dizem, o que pensam não conta. Mesmo o presente é limitado, pois resume-se ao sentimento de amar e de querer. Nada mais.

Coração vive de emoção, daquilo que é a razão mesmo do que o faz vibrar. Quando ele é o guia, perdemos todo o controle do que somos, do que pensamos, do que queremos.

Só uma água é capaz de matar essa sede: o prazer de ver-se no ser amado, de sentir-se no ser amado, de viver e morrer pelo ser amado. Nada mais no mundo importa.

Só mesmo o coração é capaz de tantos erros e tantas desculpas, tantas mágoas e tantos perdões, tantas condenações e tantas absolvições.

A Arte de Ser Alguém.

A solidão e a invisibilidade do ser caminham de mãos dadas. Sozinho é aquele que não aparece para os outros, que tem medo até de se olhar no espelho porque a própria imagem aparece como uma companhia inexistente.

Há pessoas que passam a existência em busca de aprovação, sem realmente estar nessa busca e sentem-se sempre como uma pálida cor no quadro da vida.

Elas querem ser vistas, amadas, apreciadas, mas não saem do lugar, ficam sempre à espera que um reconhecimento haja.

Mas o que torna uma pessoa visível ou invisível aos olhos dos outros? Ninguém precisa ser importante no sentido de possuir coisas ou ser um ser extraordinário para que possa ser visto ou amado. Não são as outras pessoas que nos tornam visíveis ou invisíveis, solitários ou cerdados de pessoas, somos nós.

Quando damos de nós, vamos deixando pedacinhos do nosso eu nos outros, de maneira que vamos nos tornando presentes e inesquecíveis. As pessoas sempre querem se aproximar daquilo que lhes faz bem, que é positivo, estão sempre voltadas para aquilo que vai valorizá-las de alguma forma.

Quem reclama que não se sente amado, não se sente procurado, que acha que passa pela vida como uma forma vazia e sem importância, deveria ver o mundo pelo outro lado da janela, de fora para dentro.

Faça o contrário, aja, ame, torne-se alguém pelo menos para alguém, seja aquilo que você gostaria que os outros vissem em você. Ninguém deve ter o poder de nos transformar, nós devemos ter o poder e a possibilidade de trabalhar do nosso interior para o exterior. Somos nós que nos construímos ou nos destruímos, que aparecemos ou desaparecemos.

As pessoas vêm em nós o que parecemos a elas. Elas não nos fazem, a menos que permitamos. Nós nos fazemos!

Se sentimos essa necessidade de sermos queridos e apreciados, queiramos e apreciemos. É impossível esconder uma luz numa noite escura e, creiam, o mundo atual é para muitos uma noite escura e sem estrelas. Sejamos então uma luz. E as pessoas com necessidade disso virão a nós.

Estaremos assim cumprindo nossa missão, daremos o que precisam e recuperaremos em nós o que precisamos para nos sentir inteiros e saciados.

Embora as pessoas façam parte da nossa história, elas não a escrevem. Nós o fazemos, com todos os instrumentos que temos ou aqueles que nos inventamos.

As marcas dos nossos passos só podem ser deixadas por nós mesmos

“Semideuses” – Roberto Shinyashiki.

Observador contumaz das manias humanas, Roberto Shinyashiki está cansado dos jogos de aparência que tomaram conta das corporações e das famílias. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, os candidatos repetem o que imaginam
que deve ser dito. Num teatro constante, são todos felizes, motivados,
corretos, embora muitas vezes pequem na competência. Dizem-se
perfeccionistas: ninguém comete falhas, ninguém erra. Como Álvaro de Campos
(heterônimo de Fernando Pessoa) em Poema em linha reta, o psiquiatra não
compartilha da síndrome de super-heróis. “Nunca conheci quem tivesse levado
porrada na vida (…) Toda a gente que eu conheço e que fala comigo nunca
teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, nunca foi senão príncipe”,
dizem os versos que o inspiraram a escrever “Heróis de verdade” (Editora
Gente, 168 págs., R$ 25).
Farto de semideuses, Roberto Shinyashiki faz soar seu alerta por uma
mudança de atitude. “O mundo precisa de pessoas mais simples e verdadeiras.”
Por Camilo Vannuchi

ISTOÉ – Quem são os heróis de verdade?
Roberto Shinyashiki – Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de
sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado,
viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo.
Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de
funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas
como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria
se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a
casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na
minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples
e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar
seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que
sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

ISTOÉ – O sr. citaria exemplos?
Shinyashiki – Dona Zilda Arns, que não vai a determinados programas de
tevê nem aparece de Cartier, mas está salvando milhões de pessoas. Quando eu
nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos,
empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente
(SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus
quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa
em que está escrito “100% Jardim Irene”. É pena que a maior parte das
pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão,
doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como Japão,
Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se
mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher
que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa
décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir
seguro.

ISTOÉ – Qual o resultado disso?
Shinyashiki – Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer
preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês,
informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única
coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a
desculpa de prepará- los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a
infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão
discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

ISTOÉ – Por quê?
Shinyashiki – O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a
começar pelo processo de recrutamento.
É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações
valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora
Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma
ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me
respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu
pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a
um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei na hora.
Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

ISTOÉ – Há um script estabelecido?
Shinyashiki – Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um
presidente de multinacional no programa O aprendiz? “Qual é seu defeito?”
Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: “Eu mergulho de
cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar.” É exatamente o que o chefe
quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado
ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma
forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do
poder. O vice-presidente de uma das maiores empresas do planeta me disse:
“Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir.” Isso significa
que quem fala a verdade não chega a diretor?

ISTOÉ – Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?
Shinyashiki – Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se
preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se
preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o
maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há
muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função
para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um
paciente ter morrido na minha mão.
Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a
meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não
estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma
neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.

ISTOÉ – Está sobrando auto-estima?
Shinyashiki – Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso
que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa. Antes, o
ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta
para conquistar o respeito do garçom.
Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida
se tornou parecer. As pessoas parece que sabem, parece que fazem, parece que
acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Há muitas
mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim. Embora
a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

ISTOÉ – Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos
perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?
Shinyashiki – Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua
valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o
time? O técnico.
Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles não
vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia: “Quando você
quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma
crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham.” Pode parecer
incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve
dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo. A
gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não
segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

ISTOÉ – O conceito muda quando a expectativa não se comprova?
Shinyashiki – Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado.
A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de
errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque
acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será
positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é
delas.

ISTOÉ – É comum colocar a culpa nos outros?
Shinyashiki – Sim. Há uma tendência a reclamar, dar desculpas e acusar
alguém. Eu vejo as pessoas escondendo suas humanidades. Todas as empresas
definem uma meta de crescimento no começo do ano. O presidente estabelece
que a meta é crescer 15%, mas, se perguntar a ele em que está baseada essa
expectativa, ele não vai saber responder. Ele estabelece um valor
aleatoriamente, os diretores fingem que é factível e os vendedores já partem
do princípio de que a meta não será cumprida e passam a buscar explicações
para, no final do ano, justificar. A maioria das metas estabelecidas no
Brasil não leva em conta a evolução do setor. É uma chutação total.

ISTOÉ – Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki
dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?
Shinyashiki – Tenho minhas angústias e inseguranças.
Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu
queria e não consegui.Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles
(risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25
anos. Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela
é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que
fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O
resto foram apostas e erros.
Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo. Um amigão me
perguntou: “Quem decidiu publicar esse livro?” Eu respondi que tinha sido
eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.

ISTOÉ – Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?
Shinyashiki – O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas
cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas. A primeira é
precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é
buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso
desistiram.
Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas
ensinam a tocar como o Steve Vai, o B.
B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo
problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as
escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias
potencialidades.

“O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta. É contratado o
sujeito com mais marketing pessoal”

ISTOÉ – Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?
Shinyashiki – A sociedade quer definir o que é certo.
São quatro loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm
de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda
loucura é: “Você tem de estar feliz todos os dias.” A terceira é: “Você tem
que comprar tudo o que puder.” O resultado é esse consumismo absurdo. Por
fim, a quarta
loucura: “Você tem de fazer as coisas do jeito certo.”
Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas.
As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade.
Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que
não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes
justamente por causa do casamento.
Você precisa ser feliz tomando sorvete, levando os filhos para brincar.
Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes
terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei
conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa
e diz: “Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora
eu quero ser feliz.” Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali
eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas.
Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o
dinheiro em imóveis.

Os Gestos Também Falam.

Quando as palavras calam, os gestos falam.

Vivemos às vezes situações em que as palavras parecem desaparecer do nosso vocabulário. Elas ficam todas emboladas no nosso estômago, sobem até a garganta e não sabemos, não temos idéia de como colocá-las para fora. São muitas vezes quando nossos amigos mais precisam de nós. E, justamente, é aí que encontramos essa barreira. Não sabemos o que dizer, não temos explicação aceitável para o sofrimento, temos medo de falar algo que não devemos e nos quietamos.

Achamos com facilidade palavras, repetidas e gastas mesmo na maioria das vezes, para expressar nossa alegria, nosso desejo de felicidade ao outro e não nos importamos se alguém já disse ou não. Pegamos emprestadas essas frases corriqueiras e fazemos delas nossa mensagem. E nossos amigos recebem isso de coração aberto, sorriso estampado, porque eles fazem também uso disso. É de praxe, é normal, é gentil, é nobre. É milhões de vezes melhor que o esquecimento.

Nossa grande dificuldade é expressar em palavras de consolo quando nós mesmos temos um coração moído pela dor de ver o sofrimento do outro e termos a consciência que não podemos fazer nada!

Vai passar, sabemos disso, pois todas as dores passam, como passam as noites de lua e os dias de sol. Nada é estável e constante.

E queríamos tanto encontrar as palavras exatas que amenizasse o sofrimento, que trouxesse consolo imediato, que anestesiasse ou curasse de vez! E lá, nesse exato instante, as palavras morrem.

Mas eis um segredo que só os anjos conhecem: os gestos falam!

Flores falam muito. Um beijo fala. Um afago fala de voz doce e suave. Uma presença, mesmo calada, fala demais. Um abraço fala muito alto. Um olhar sincero diz tanto! Uma mão que segura outra mão fala como várias bocas e centenas de corações…

Quando as palavras se recusarem a sair de você, fale com gestos. O outro compreenderá.

Seja você o anjo calado que vai trazer um lenço e vai ficar do lado para o outro se sentir menos sozinho. Dar de si vale mais que todas as palavras do dicionário juntas. E nesses instantes, Deus se cala também. Ele se contenta, como nós, de olhar com ternura e Ele sente prazer em nós.