Não sei ser triste a valer.

Não sei ser triste a valer

Nem ser alegre deveras.
Acreditem: não sei ser.

Serão as almas sinceras
Assim também, sem saber?

Ah, ante a ficção da alma
E a mentira da emoção,

Com que prazer me dá calma
Ver uma flor sem razão

Florir sem ter coração!
Mas enfim não há diferença.

Se a flor flore sem querer,
Sem querer a gente pensa.

O que nela é florescer
Em nós é ter consciência.

Depois, a nós como a ela,
Quando o Fado a faz passar,

Surgem as patas dos deuses
E ambos nos vêm calcar.

‘Stá bem, enquanto não vêm
Vamos florir ou pensar.

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