Inimigo oculto.

 

Dizem que em algum ponto do cosmos

(le silence éternel de ces espaces infinis m’effraie)

um pedaço negro de rocha
– do tamanho de uma cidade –
voa em nossa direção

perdido em meio a muitos milhares de asteróides
impelido pelas curvaturas do
espaço-tempo
extraviando entre órbitas
e campos magnéticos
voa em nossa direção

e quaisquer que sejam os desvios
e extravio de seu curso
deles resultará matematicamente
a inevitável colisão

não se sabe se quarta-feira próxima
ou no ano quatro bilhões e cinqüenta e dois
da era cristã

Ferreira Gullar, em “Em Alguma Parte Alguma”

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