Réquiem para Gullar.


 

“Debrucei-me à janela o parapeito tinha uma consistência de sono. “Tenho dito que essas begônias danificam tudo.” Meu corpo se dobrou: um maço de folhas olhos coisas por falar engasgadas a pele serena os cabelos no braço de meu pai o relógio dourado. A terra. Há duas semanas exatamente havia uma galinha ciscando perto daquela pimenteira. Alface tomate feijão de corda. É preciso voltar à naureza. Água no tanque água no corpo água solta na pia. A gramde viagem mar doce mar copo de flores porcos ao sol ortografia. Mar doce mar. Há certas lembranças que não nos oferecem nada, corpo na areia sol lagoa fria. Bichinhos delicados, o focinho da moça roçando a grama a treva do dia o calor. Hálito escuro o avesso das navalhas do fogo a grande ruína do crepúsculo. É preciso engraxar os sapatos. É preciso cortar os cabelos. É preciso telefonar oh é preciso telefonar. Cominho e farinha seca. Boca de fumo argolas africanas assaí bandeira lanterna. Vinte poucos anos ao lado do mar à direita à esquerda oh flâmula de sal guerreiros solo vivo. Automóvel e leite. Os domingos cruéis primeiro apeadouro segundo apeadouro aquele que acredita em mim mesmo depois de morto morrerá.  Tardes tardas a lente o estojo de ebonite sumaúma pião-roxo tuberculose. A boa e o luto dia sem limite. Cravo de defunto. Estearina. Moscas no nariz a língua coagulada na saliva de vidro e açúcar…”

Ferreia Gullar – Dentro da Noite Veloz.

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