Mundo do “faz de conta”.


Eu sou, incontestavelmente, uma apaixonada pelo mundo virtual. Tenho, além de motivos pessoais, uma fascinação muito grande por essa facilidade de comunicação que ele nos proporciona, e porque não dizer, também pelas emoções que vivemos aqui, muitas das quais, sem o mundo virtual, jamais seriam passíveis de serem vividas.
Mas (e tudo na vida sempre tem um mas), é impossível ignorarmos o enorme “faz de conta” que reina aqui. Eu sempre justifico que no mundo real também existe, e existe. Mas o virtual, facilita as fugas da realidade, a implementação dessa espécie de “matrix” que tantos vivem cada vez mais.
Cito Matrix, porque o filme, apesar da gama de efeitos especiais que o tornou notório, tem em sua essência, um conceito filosófico muito profundo, porque explora, prodigamente se diga, o tema da realidade confrontada com a ilusão, no cotidiano.
Então eu penso que, dia chegará que alguém dirá: “_ Isso tudo um dia esteve nas telas do cinema, num filme que dizia ser, ficção…”. Sim, porque eliminando os efeitos especiais, o mundo (real e virtual, no caso) caminha para esse faz de conta em massa, cada vez mais e mais rapidamente.
Na política, já podemos ver a trilha condenável de tantos que um dia pararam e pensaram: – “Faz de conta que eu sou um herói…”. E passaram por um… foram aclamados publicamente, considerados salvadores da Pátria, ovacionados por maciça parcela da população e conseguiram ir em frente, cada vez mais em frente, enganando… tripudiando… com estratégias sórdidas… engodos… engodos… engodos…
Mas se fosse só na política que isso acontecesse, o povo teria lucidez suficiente para “desbancar” esse “faz de conta”, acontece que é muito mais abrangente do que se pode sequer considerar, a mente humana está cada vez mais, sendo preparada para aceitar o “faz de conta”, o pacote pronto que recebe dos seus heróis de papel, em todas as ramificações da sociedade, e mais intensamente, na internet.
Antigamente, os pintores eram gênios da arte, talentosos seres humanos que usufruíam o dom que Deus lhes deu, e com ele pintavam as maravilhas, que encantaram o mundo e os tornou imortais.
Hoje, as obras primas são nada mais que digitais: – “Faz de conta que eu sou um pintor…”. E saio pelo mundo afora me equiparando com Van Gogh, Picasso, Monet, Renoir, Da Vinci… e tantos outros.
Na verdade o que nós teremos, é um “pintor de laboratório”, cuja mão, pura e simplesmente, muito provavelmente não desenharia nem a casinha com coqueiro do lado, que eu tanto fazia toda vez que a professora pedia um desenho… não é um pintor de verdade, não tem o dom da pintura, não tem talento, não tem facilidade para isso… é apenas um “efeito especial humano”, do mundo do “faz de conta”…
Seria impossível exemplificar todas as observações que tenho tido o desprazer de presenciar nessa área, mas quem sabe mais pessoas estejam observando também, porque se a filosofia de Matrix, conceituou que a máquina jamais dominará o homem, porque o “faz de conta” está dominando?
Se a mente humana transcende a lógica racional, se ela, com o dom do raciocínio, trabalha as informações que recebe, para aceitá-las ou não, independente do que uma máquina lhe ordenar, porque então estamos aceitando tudo sem questionar?
Eu não tenho mais filhos em idade escolar, e nem netos, mas imagino para quem tem, como deve ser triste presenciar… esses pobres jovens que se desdobram para fazer um curso superior, para formar-se, jornalista por exemplo, e saem a campo à procura (quase guerra) para conseguir uma vaguinha, e humildemente tentar mostrar o seu valor e ser reconhecido, quando de repente, vê aquele que escreveu meia dúzia de artigos se auto proclamar jornalista e ser laureado por tal auto-conceito… melhor dizendo, seria triste, se não fosse tão ridículo.
São “ossos” do mundo do faz de conta… faz de conta que eu sou jornalista, faz de conta que eu sou gênio, faz de conta que eu sou poderoso, faz de conta que eu sou dono do mundo… que sou jovem e bonita, que moro numa mansão à beira-mar (ninguém precisa saber que é uma choupaninha), faz de conta… e eu nem tinha me lembrado daquele que fez de conta que estava perdidamente apaixonado pela funcionária pública federal, e perdendo-se nas próprias mentiras, acabou assassinando a vítima da sua paixão… ou seria vítima do faz de conta?
E para que o meu texto, (amador) não cause mal entendidos, eu salvo aqui o conceito de “poeta”… eu acho que é uma das poucas designações que não carecem de trilhas para se chegar a ela, eu acho que ser poeta é ter poesia na alma, e vertê-la da alma, em forma de versos. Qualquer um pode, ter nascido, ou tornar-se poeta, desde que se apaixone pela poesia. E para se auto proclamar poeta, (ainda que eu me acanhe em fazê-lo), mas ninguém precisa estar vivendo de poesia para isso, até porque, se existe, eu desconheço quem, mesmo tendo se tornado um grande imortal na arte de escrever versos, tenha vivido exclusivamente disso, enquanto aqui esteve.
Mas será que algum deles, ao preencher um cadastro em alguma biblioteca talvez, já que naquele tempo não havia internet, será que algum deles ousou colocar no campo da sua profissão…”escritor profissional”?… muito provavelmente sim, tudo na humanidade acontece em pequenas doses… o faz de conta, com certeza também.
Mas uma coisa eu tenho certeza: muitos deles utilizaram-se de heterônimos para publicarem suas obras, ou seja, utilizavam pseudônimos na publicação dos seus livros, mas em nenhum momento colocaram esses heterônimos como pseudo-seres humanos a interagir com as pessoas do seu tempo, utilizando-se de várias facetas (ou personalidades, se preferirem) ao mesmo tempo. A tal ponto de repente, quem tiver um pouquinho mais de perspicácia ou for um bom guardador de segredos, recebe um email, olha pra ele e pensa:” ah tá, esta é a Tere, de Santos, que escreve poeminha água com açúcar, mas que é também a Monalisa, de Portugal, que escreve prosas apaixonadas, e também a Geny da Bahia, que escreve poesia erótica, e ainda a Eva, que casou-se semana passada e dois dias depois descasou-se por ter coisa mais importante pra fazer… Esse, é um faz de conta da atualidade… ara se é!!! E muitos de nós nem desconfiamos que o coraçãozinho dos nossos amados amigos, batem no peito de cinco, seis, ou dez nicknames… rs Faz de conta, pura e simplesmente…
Tere Penhabe

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Satisfatório! Muito obrigada.

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