Vem!

Como ao luar da noite as flores dormem,
Vem dormir sob a luz dos olhos meus!
Hão de as brisas beijar-te as tranças belas
E desmaiar de amor nos seios teus!

Como um círio fantástico de amores
Tanta luz sobre a praia a lua entorna!
Oh! deixa aos raios do luar saudoso
Ornar de flores essa fronte morna!

Deixa que como um doido, um insensato
Eu me embeba em teus olhos transparentes,
E embalado num sonho fervoroso.
Ouça-te ao peito as pulsações ardentes!

É tão doce! tão belo estar contigo!
Pobre andorinha errante dos amores,
Achaste um coração! na primavera
Não desmaiam as aves, nem as flores.

Se a capela de noiva desfolhaste
Nas noites tuas, nos delírios teus,
Qu’importa? ainda nas asas dos amores
Podes voar ao céu, anjo de Deus!

Inda o teu coração ardente e puro
Como a fênix das cinzas pode erguer-se
E ungir-se com os bálsamos celestes,
E no Jordão do amor inda embeber-se!

Inda os mágicos sonhos de ventura
Podem embalsamar-te as primaveras
E num culto platônico e fervente
Querer-te um coração e amar deveras!

Ergue-te pois! vem perfumar tua alma
Com as rosas festivas dos amores,
E dourar minhas crenças fugitivas
Com a luz de teus olhos sedutores.

Vem! é tão doce amar nas noites belas!
Vem remir-te no amor, anjo do Deus!
Hão de os meus beijos aquecer-te a fronte,
E as brisas desmaiar nos seios teus!

Machado de Assis

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