Não?


Vi-te: em teu rosto voluptuoso e belo
O anjo formoso dos amores vi!
Amor ardente num olhar, num elo
Destes teus olhos divinais senti!

Vi-te: e prendeu o teu esbelto talhe
O mimo, a graça do teu corpo em flor.
E esses teus lábios como a flor de um baile
Que às auras murcham de festivo amor.

Vi-te: e eras minha ao meu olhar magnético
E te prendias a fugir de mim!
Fronte de lírios de um candor angélico
Em um perfume me darás um — sim!

Um sim de envolta àquele olhar ardente
Luz de teus olhos, divinal fulgor.
Um sim de envolta àquele rir demente
Reflexo d’alma a delirar de amor!

Um sim! E ao som do teu falar suave
À minha voz extinguirei o som
Onde gorjeia uma garganta de ave;
Que vale ao homem da palavra o dom?

Íntima frase que só nasce d’alma
Terei nos olhos p’ra dizer-t’o então
E em troca dela p’ra colher a palma
Do teu amor, anjo terrestre… não?

Machado de Assis

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