Posto, logo existo!

 

Começam a pipocar alguns debates sobre as consequências de se passar tanto tempo conectado à internet. Já se fala em saturação social, inspirado pelo recente depoimento de um jornalista do The New York Times que afirmou que sua produtividade no trabalho estava caindo por causa do tempo consumido pelo Facebook, Twitter e agregados, e que hoje ele se vê diante da escolha entre cortar seus passeios de bicicleta ou alguns desses hábitos digitais que estão me comendo vivo.

Antropofagia virtual.
O Brasil, pra variar, está atrasado (aqui, dois terços dos usuários ainda atualizam seus perfis semanalmente), pois no
resto do mundo já começa a ser articulado um movimento de desaceleração dessa tara por conexão: hotéis europeus prometem quartos sem wi-fi como
garantia de férias tranqüilas, empresas americanas desenvolvem programas de software que restringem o acesso à web e na Ásia crescem os centros de
recuperação de viciados em internet.
Tudo isso por uma simples razão:
existir é uma coisa, viver é outra.

Penso, logo existo. Descartes (filósofo) teria que reavaliar esse seu cogito, “ergo sum”,(Cogito, ergo sum significa “penso, logo existo”; ou ainda Dubito, ergo cogito, ergo sum: “Eu duvido, logo penso, logo existo) pois as pessoas trocaram o verbo pensar por postar.
“Posto, logo existo”

Tão preocupadas em existir para os outros, as pessoas estão perdendo um tempo valioso em que poderiam estar vivendo, ou seja, namorando, indo à praia, trabalhando, viajando, lendo, estudando, cercadas não por milhares de seguidores, mas por umas poucas dezenas de amigos. Isso não pode ter se tornado tão obsoleto!!!

Claro que muitos usam as redes sociais como uma forma de aproximação, de resgate e de compartilhamento – numa boa. Se a pessoa está no controle do seu tempo e não troca o real pelo virtual, está fazendo bom uso da ferramenta. Mas não tem sido a regra. Adolescentes deixam de ir a um parque para ficarem trancafiados em seus quartos, numa solidão disfarçada de
socialização.

Isso acontece dentro da minha casa também, com minhas filhas, e não adianta me descabelar, elas são frutos da sua época, sua turma de amigos se comunica assim, e nem batendo com um gato morto na cabeça delas para fazê-las entender que a vida está lá fora. Lá fora!!!
O grau de envolvimento delas com a internet ainda é mediano e controlado, mas tem sido agudo entre muitos jovens sem noção, que se deixam fotografar portando armas, fazendo sexo, mostrando o resultado de suas pichações, num
exibicionismo triste,
pobre, desvirtuado.
São garotos e garotas que não se
sentem com a existência comprovada, e para isso se valem de bizarrices na esperança de deixarem de ser “ninguém” para se tornarem “alguém”,mesmo que
alguém medíocre.

Casos avulsos, extremos, mas estão aí, ao nosso redor. Gente que não
percebe a diferença entre existir e viver. Não entendem que é preferível viver, mesmo que discretamente, do que existir de mentirinha para 17.870
que não estão nem aí.
SAINDO COM AMIGOS…………..
Tomando café.
Jantando no restaurante favorito
Visitando um museu
Encontrando em uma lanchonete
Relaxando na praia
Indo ao jogo
Indo em um encontro
Dando uma volta pela cidade…
Enfim…

 

Martha Medeiros.

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Satisfatório! Muito obrigada.

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