Sensual…

Quando, longe de ti, solitaria, medito neste affecto pagão que envergonhada oculto,
vem-me ás narinas, logo, o perfume exquisito que o teu corpo desprende e ha no teu proprio vulto.

A febril confissão deste affecto infinito há muito que, medrosa,
em meus labios sepulto,
pois teu lascivo olhar em mim pregado, fito,
á minha castidade é como que um insulto.

Si acaso te achas longe, a collossal barreira dos protestos que, outr’ora, eu fizera a mim mesma
de orgulhosa virtude, erige-se altaneira.

Mas, si estás ao meu lado, a barreira desaba,
e sinto da volupia a ascosa e fria lêsma
minha carne polluir com repugnante baba…

Gilka Machado.

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