No Es Nada de Tu Cuerpo.

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No es nada de tu cuerpo
ni tu piel, ni tus ojos, ni tu vientre,
ni ese lugar secreto que los dos conocemos,
fosa de nuestra muerte, final de nuestro entierro.
No es tu boca -tu boca
que es igual que tu sexo-,
ni la reunión exacta de tus pechos,
ni tu espalda dulcísima y suave,
ni tu ombligo en que bebo.
Ni son tus muslos duros como el día,
ni tus rodillas de marfil al fuego,
ni tus pies diminutos y sangrantes,
ni tu olor, ni tu pelo.
No es tu mirada -¿qué es una mirada?-
triste luz descarriada, paz sin dueño,
ni el álbum de tu oído, ni tus voces,
ni las ojeras que te deja el sueño.
Ni es tu lengua de víbora tampoco,
flecha de avispas en el aire ciego,
ni la humedad caliente de tu asfixia
que sostiene tu beso.
No es nada de tu cuerpo,
ni una brizna, ni un pétalo,
ni una gota, ni un grano, ni un momento.
Es sólo este lugar donde estuviste,
estos mis brazos tercos.

Jaime Sabines

(Tuxtla Gutierrez, México, 1926 – 1999)
Longe das tendências e alheios a qualquer santuário literário, era um operador solitário e desesperançado cujo caminho ficou longe do que cruzaram seus contemporâneos… Há em sua poesia um resíduo de amargura, que é expressa em uma obra em prosa de violência, expressa na linguagem cotidiana, quase vulgar, marcado pela concepção trágica do amor e da angústia da solidão. Seu estilo, um brilho furioso e espontâneo; .
Para mim , sua poesia fala como ninguem, da intimidade do amor experimentado!!!

Isadora.

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Satisfatório! Muito obrigada.

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