Não Seja Enganado Por Mim – Charles C. Finn.

Guardei por anos esse texto, entitulado “Máscaras” e de “autoria desconhecida”. Contudo, o nome do texto é outro, e o autor é americano, vivo, e tem um site muito amável colocado no ar por sua maior fã: sua esposa (o que torna tudo ainda mais belo). Seu nome é Charles C. Finn. Tenho a responsabilidade de creditar os textos aos seus devidos autores, e preservar tanto quanto possível a integridade de seus escritos. Esse é um texto fantástico, que trata de uma realidade interna de cada um de nós, manifestando-se em direção ao Outro. Assim, publico aqui o original em inglês, a versão que mais circula em e-mails pela Internet e minha tradução direta do original. Desfrutem.

Não seja enganado pela face que visto.
Por eu vestir uma máscara, um milhar de máscaras,
máscaras que eu temo tirar
e nenhuma delas sou eu.
Fingir é uma arte que é uma segunda natureza para mim,
mas não seja enganado,

Pelo Amor de Deus, não se deixe enganar.
dou a você a impressão de que sou seguro,
de que tudo é ensolarado e sem perturbações comigo,
por dentro e por fora, que confiança é meu nome
e sangue frio é meu jogo,
que as águas são calmas e eu estou no comando
e que eu não preciso de ninguém,
mas não creia-me.

Minha superfície pode parecer gentil,
mas minha superfície é minha máscara,

sempre mudando e sempre escondendo,
Por baixo, desvela-se a não complacência.
Por baixo desvela-se confusão, e medo, e solidão.
Mas eu escondo isto. Eu não quero que ninguém saiba.
Entro em pânico ao pensar na minha fraqueza exposta.

É por isso que freneticamente eu crio uma máscara
para por trás esconder-me
uma fachada sofisticada indiferente
para me ajudar a fingir,
para escudar-me da olhadela que sabe.

Mas uma olhadela dessas é precisamente minha salvação,
minha única esperança,e eu sei disso.
Isto é, se ela é seguida de aceitação
se é seguida de amor.
É a única coisa que pode me libertar de mim mesmo
dos muros da prisão que construí eu mesmo
das barreiras que eu ergui tão dolorosamente.

É a única coisa que vai me assegurar
de que eu não posso me assegurar,

que eu realmente tenha algum valor.
Mas eu não digo isso a você.
Eu não me atrevo, estou com medo.
Estou com medo que sua olhadela não seja seguida de aceitação,
que não vá ser seguida de amor.
Eu tenho medo que você pense menos de mim,
que você ria, e sua risada poderia matar-me.
Estou com medo que bem lá dentro eu não seja nada

e que você vai ver isso e me rejeitar.
Então eu jogo, meu jogo, meu desesperado jogo de fingir,
com uma fachada de segurança por fora
e uma criança a tremer por dentro.
Então começo o desfile brilhante mas vazio de máscaras,
e minha vida se torna um front.

Converso com você sem propósito, nos suaves tons de diálogo superficial.
Eu digo a você tudo que na verdade é nada,
e nada que na verdade é tudo,

o que está a chorar dentro de mim.
Então quando eu for para minha rotina

não seja enganado pelo que estou dizendo.
Por favor, escute atentamente e tente escutar o que eu não estou dizendo,
o que eu gostaria de conseguir dizer,
o que para sobreviver eu preciso dizer,
mas o que eu não posso dizer.
Eu não gosto de esconder.
Eu não gosto de jogar jogos falsos e superficiais.
Eu quero parar de joga-los.
Eu quero ser genuíno, espontâneo e eu mesmo
Mas você tem que me ajudar.
Você tem que estender sua mão
mesmo quando esta é a última coisa que eu pareço querer.

Somente você pode enxugar para longe de meus olhos
o olhar fixo e vazio de morto-vivo.
Somente você pode invocar minha vivacidade
Cada vez que você é doce, sutil e encorajador,
cada vez que você tenta entender porque você realmente se importa,
meu coração começa a desenvolver asas –
asas bem pequenas,
asas bem débeis, mas asas!

Com seu poder de me tocar os sentimentos

você pode soprar vida em mim.
Eu quero que você saiba disso.
Quero que você saiba o quão é importante para mim,
O quão você pode ser um criador – um honesto criador de Deus –
dessa pessoa que sou eu.

se você escolher faze-lo.
Você pode, você mesmo, quebrar o muro sob o qual eu tremo,

Você pode, você mesmo, remover minha máscara,
Você pode, você mesmo, me libertar de meu mundo sombrio de pânico,
de minha prisão solitária,
se você escolher faze-lo.
Por favor, escolha faze-lo.

Não passe por mim.
Não será fácil para você.
Um a longa convicção de menos-valia constrói muros fortes.
Quanto mais perto você se aproximar de mim
o escurecedor eu posso contra atacar.
É irracional, mas a despeito do que os livros dizem sobre o homem
frequentemente eu sou irracional.
Eu luto contra cada coisa que eu choro perder.
Mas me disseram que o amor é mais forte que muros fortes
e nisto reside minha esperança.

Por favor tente vencer essas muralhas
com mãos firmes porém gentis
para uma criança que está bastante sensível.

Quem eu sou, você pode vislumbrar?
Eu sou alguém que você conhece muito bem.
Por eu ser cada homem que você encontra
e ser cada mulher que você encontra.

Charles C. Finn, Setembro de 1966

Tradução de Arnaldo V. Carvalho

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