A elegância do comportamento – Henri T. Lautrec.

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada
vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso
correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado
diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de
dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa
alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas
pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca,
das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se
dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos
constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. É possível
detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem
presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber
uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e
só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É
elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve
que se arrebentar para o fazer… porém, é elegante reconhecer o esforço, a
amizade e as qualidades dos outros.
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. É muito
elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir
carinho e solidariedade. É elegante o silêncio, diante de uma rejeição…
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não
há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de
uma forma não arrogante. É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que
mil imagens… Abrir a porta para alguém é muito elegante… Dar o lugar para
alguém sentar… é muito elegante… Sorrir sempre é muito elegante e faz um
bem danado para a alma… Oferecer ajuda… é muito elegante… Olhar nos olhos
ao conversar é essencialmente elegante…
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar
imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver,
que independe de status social: Se os amigos não merecem uma certa
cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.
EDUCAÇÃO ENFERRUJA POR FALTA DE USO
Henri Toulosse Lautrec (1864-1901) – pintor francês e deficiente físico.

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