Fábula da Verdade.

Um dia, a Verdade andava visitando os homens sem roupas e sem adornos, tão
nua como o seu nome.E todos que a viam viravam-lhe as costas de vergonha
ou de medo e ninguém lhe dava as boas vindas.

Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, rejeitada e desprezada.

Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, num traje belo e muito colorido.

Verdade, por que estás tão abatida? – perguntou a Parábola.

Porque devo ser muito feia já que os homens me evitam tanto!

Que disparate! – riu a Parábola – não é por isso que os homens te evitam.

Toma, veste algumas das minhas roupas e vê o que acontece.

Então a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola e, de repente,
por toda à parte onde passa era bem-vinda.

Pois os homens não gostam de encarar a Verdade nua;

eles a preferem disfarçada.

(Conto Judaico)

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A palavra “coisa.”

A palavra “coisa” é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português.

Gramaticalmente, “coisa” pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma “coisificar”. E no Nordeste há “coisar”: “Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?”.

Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as “coisas” nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. “E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios” (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, “coisa” também é cigarro de maconha..

Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: “Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já.” E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha. [Incentivando crianças ao uso de baseado???!!!]

Na literatura, a “coisa” é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica “O Coisa” em 1943.”

A Coisa” é título de romance de Stephen King.

Simone de Beauvoir escreveu “A Força das Coisas”, e Michel Foucault, “As Palavras e as Coisas.”

Em Minas Gerais , todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de “a coisa”. A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: “Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!”.

Devido lugar: “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (…)”. A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro.
“Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca.” Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas.

Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta “Alguma coisa acontece no meu coração”, de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).

Em 1997, a NASA lançou a “Missão Mars Pathfinder”, enviando um robô para explorar Marte. O mecanismo foi programado para ser acionado a partir do som de uma música e a escolhida foi um samba de Jorge Aragão/Almir Guineto/Luis Carlos da Vila. Assim, o robô da Nasa, foi “acordado” com a música: “Ô coisinha tão bonitinha do pai…”. Lembram?

Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim!

Coisa de cinema! “A Coisa” virou nome de filme de Hollywood, que tinha o “seu Coisa” no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem “Coisinha de Jesus”.

Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, “coisa nenhuma” vira “coisíssima”. Mas a “coisa” tem história na MPB. No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré: “Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar”, e A Banda, de Chico Buarque: “Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor”. Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: “Coisa linda / Coisa que eu adoro”.

Cheio das coisas. As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o “rei” das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas.

Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade afinal, “são tantas coisinhas miúdas”.

“Todas as Coisas e Eu” é título de CD de Gal. “Esse papo já tá qualquer coisa…Já qualquer coisa doida dentro mexe.” Essa coisa doida é uma citação da música “Qualquer Coisa”, de Caetano, que canta também: “Alguma coisa está fora da ordem.”

Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal.

O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa.

Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.

A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: “Agora a coisa vai.” Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!

Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema “Eu, Etiqueta”, Drummond radicaliza: “Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente.” E, no verso do poeta, “coisa” vira “cousa”.

Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para serem usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas?

Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más.

Mas, “deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida”, cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda.

Autor desconhecido.

Oração a Mim Mesmo!

Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais.
Falar menos.
Chorar menos.
Ver nos olhos de quem me vê a admiração que eles me têm
e não a inveja que prepotentemente penso que têm.
Escutar com meus ouvidos atentos
e minha boca estática,
as palavras que se fazem gestos
e os gestos que se fazem palavras.
Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido escutar.
Saber realizar os sonhos que nascem em mim e por mim
e comigo morrem por eu não os saber sonhos.
Então, que eu possa viver
os sonhos possíveis
e os impossíveis;
aqueles que morrem
e ressuscitam
a cada novo fruto,
a cada nova flor,
a cada novo calor,
a cada nova geada,
a cada novo dia.
Que eu possa sonhar o ar, sonhar o mar,
sonhar o amar, sonhar o amalgamar.
Que eu me permita o silêncio das formas,
dos movimentos,
do impossível,
da imensidão de toda profundeza.
Que eu possa substituir minhas palavras
pelo toque,
pelo sentir,
pelo compreender,
pelo segredo das coisas mais raras,
pela oração mental (aquela que a alma cria e
que só ela, alma, ouve e só ela, alma, responde).
Que eu saiba dimensionar o calor, experimentar a forma,
vislumbrar as curvas, desenhar as retas, e aprender o sabor da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações da vida.
Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos meus olhos, fazendo-me parte suprema da natureza, criando-me
e recriando-me a cada instante.
Que eu possa chorar menos de tristeza e mais de contentamentos.
Que meu choro não seja em vão,
que em vão não sejam
minhas dúvidas.
Que eu saiba perder meus caminhos, mas saiba recuperar meus destinos com dignidade.
Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo:
— Que eu não tenha medo de meus medos!
Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis,
e desperte com o coração cheio de esperanças.
Que eu faça de mim um homem sereno
dentro de minha própria turbulência,
Sábio
dentro
de meus
limites
pequenos
e inexatos,
humilde diante de minhas grandezas tolas e ingênuas
(que eu me mostre o quanto são pequenas minhas grandezas
e o quanto é valiosa minha pequenez).
Que eu me permita ser mãe, ser pai, e, se for preciso,
ser órfão.
Permita-me eu ensinar o pouco que sei
e aprender o muito que não sei,
traduzir o que os mestres ensinaram e compreender a alegria
com que os simples traduzem suas experiências;
respeitar incondicionalmente o ser;
o ser por si só,
por mais nada que possa ter além de sua essência,
auxiliar a solidão de quem chegou,
render-me ao motivo de quem partiu
e aceitar a saudade de quem ficou.
Que eu possa amar e ser amado.
Que eu possa amar mesmo sem ser amado,
fazer gentilezas quando recebo carinhos;
fazer carinhos mesmo quando não recebo gentilezas.
Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só.
Amém.

Oswaldo Antonio Begiato

As 95 mentiras principais.

A Amazônia é nossa…
A bem da verdade…
A justiça tarda, más não falha!
A minha palavra vale mais do que…
A minha parte eu garanto!
A nossa prioridade é ajudar os necessitados…
A sua derrota valorizou a minha vitória.
Amanhã será um novo dia.
Apareça sempre que puder.
Até que a morte nos separe!
Caiu como uma luva em você…
Cobrimos qualquer oferta!
Cumprirei todas as promessas!
Desculpe! Más não pude deixar de ouvir…
É primeira vez que erro o caminho…
Ele é um advogado muito honesto.
Espere ai, que eu vou buscar ajuda!
Essa é a minha especialidade.
Esta derrota deverá servir para corrigir…
Este carro é de um único dono!
Estou em dúvida nessa resposta!
Eu confio na justiça brasileira!
Eu faltei nessa aula…
Eu garanto que é um ótimo produto!
Eu já viajei o mundo todo…
Eu morro mais não falo…
Eu não desejo mal pra ninguém!
Eu não quero te magoar, más…
Eu nunca repeti de ano!
Eu sou um político diferente dos…
Eu sou uma pessoa de bem!
Eu tenho muita facilidade em…
Foi muito bom te ver.
Garanto que vou me esforçar para não faltar…
Honestamente eu não me lembro de nada…
Imagina! não é incômodo nenhum…
Jamais em tempo algum!
Jamais enganei alguém antes…
Juro que não era eu…
Más, na próxima eu garanto, pode confiar!
Meu ponto forte é…
Na final não adianta escolher adversário.
Nada como um dia após o outro…
Não deu, más você foi muito bem…
Não estou tendo lucro nenhum nesta…
Não há de ser nada…
Não preciso de motivo pra ser feliz.
Não se preocupe com a aparência…
Não sei quem foi o culpado do…
Nem que a vaca tussa!
Ninguém nasce sabendo…
No momento que aparecer uma vaga, ligaremos…
Nós vamos acabar com a miséria!
Nossa! Ele foi uma ótima pessoa quando vivo.
Nunca dei uma batida de carro.
Nunca fiquei devendo nada pra ninguém!
Nunca na história desse país…
O Brasil é o país do futuro!
O Brasil é um país que tem plena soberania.
O dinheiro não é tudo na vida!
O importante não é ganhar, mas…
O inquérito irá apurar os culpados!
O seu currículo é muito bom, mas no momento…
O sol nasceu pra todos!
Obrigado pelo presente, más não precisava se preocupar…
Olha! Pra ser honesto…
Ordem e Progresso.
Os corruptos irão para a cadeia!
Parabéns! Você caiu de pé.
Pode confiar no meu taco!
Pode me contar, que eu sou um túmulo…
Pra ser franco com você…
Prometo que não vou fazer mais isso…
Se der estarei lá…
Sempre estarei ao seu lado!
Seu guarda eu não sabia que aqui era contra-mão…
Só não fui, porque não deu mesmo…
Sou uma pessoa bem equilibrada.
Temos os melhores preços do mercado!
Tenho uma saúde de ferro!
Tenho uma vasta experiência em…
Tentei te ligar várias vezes.
Tirei a carta na primeira tentativa.
Todos culpados serão punidos!
Vamos governar para os pobres.
Você é a última pessoa que eu desejaria magoar.
Você é um ótimo funcionário, más a crise…
Você foi uma companhia maravilhosa!
Você jogou bem, más…
Você não vai se arrepender…

Artur dos Santos Saldanha

Poema do Homem Novo.


Niels Armstrong pôs os pés na Lua
e a Humanidade inteira saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.
Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até os pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.
A cobrir tudo, enfim, como um balão de vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,
luvas com luz nos dedos.
Numa cama de rede, pendurada
da parede do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.
Cá de longe, na Terra, num borborinho ansioso,
bocas de espanto e olhos de humidade,
todos se interpelavam e falavam
do Homem Novo,
do Homem Novo,
do Homem Novo.
Sobre a Lua, Armstrong pôs finalmente os pés.
Caminhava hesitante e cauteloso,
pé aqui, pé ali,as pernas afastadas,
os braços insuflados como balões pneumáticos,
o tronco debruçado sobre o solo.
Lá vai ele.
Lá vai o Homem Novo
medindo e calculando cada passo,
puxando pelo corpo como bloco emperrado.
Mais um passo.
Mais outro.
Num sobrehumano esforço
levanta a mão sapuda e qualquer coisa nela.
Com redobrado alento avança mais um passo,
e a Humanidade inteira,
com o coração pequeno e ressequido,
viu, com os olhos que a terra há-de comer,
o Homem Novo espetar, no chão poeirento da Lua,
a bandeira da sua Pátria,
exactamente como faria o Homem Velho.

Que Filme a Gente Seria?

Difícil começar a escrever sobre temas que anotei na minha lista de “crônicas para se pensar”, quando só uma coisa me vem à cabeça. Você. É, você. Você e seu jeito de me olhar quando eu abro a porta de casa. Você e suas blusas Hering sempre iguais. Você e seu jeito de mudar o canal cem vezes por minuto. Você e seu jeito tosco que às vezes me irrita. Você e suas manias engraçadas que me fazem rir. Você e seu coração que quase te engole. Você e seu jeito investigativo de olhar para o mundo, como se tudo fosse um filme. Achando planos. Ângulos. Luzes. Sombras. E me enquadrando no meio de tudo.
Nessas horas, te olho e penso: que filme se passa quando você NOS vê? Que filme te lembra quando você ME vê? Seria eu uma das mulheres loucas de Almodóvar? Uma neurótica com ares nouvelle vague, bem Woody Allen? Ou – quem sabe?- surgiríamos das telas lisérgicas de Kubrick, surpreendendo a nós mesmos, com atitudes e tons que teoricamente nunca teríamos?
Mas… Não. Não seria assim. No máximo, Agnes Varda te serviria de inspiração (gosto de pensar que você me acha maluca, mesmo tendo consciência que isso te assusta). A verdade é que tudo em você é original demais. Sua mente é intensa e infinita e eu adoro pensar nas imagens que dançam em sua cabeça, logo eu que só penso com palavras.
Aposto que agora você está imaginando: como seria o NOSSO filme? Bom, tenho uma coisa a dizer. A história é nossa, mas a direção é sua. Sempre foi, desde que te conheci. E eu te sigo, sigo… Produzo o que não existe, crio diálogos intermináveis, mudo o roteiro a toda hora. E tenho que confessar, mesmo tendo a lua em Áries (coisa de quem não aceita ordens): eu GOSTO disso. Gosto que você dirija. O carro. O ritmo. A ordem. A viagem. A relação. Porque, vamos ser sinceros… Se fosse eu a diretora dessa história, nosso longa-metragem seria um curta (já que nunca fui dada a grandes experimentos). Mas você me mostrou que faz parte acreditar. Amadurecer. Ter paciência. Relevar. OK. Vale conhecer o enredo. Vale apagar tudo e recomeçar. Vale rebobinar e rever. Vale apertar o pause e tentar. Não é assim? Por isso, antes que esse texto vire um emaranhado de metáforas baratas de cinéfilos, vou improvisar e dizer sem pensar (porque ambos sabemos que esse é um dos meus hobbies preferidos e meu “quase talento”): te deixo nos guiar, se você, por sorte, me deixar escrever. O roteiro é meu. Mas a direção é sua. Adivinha só o final que eu reservei pra nós?

Obs: Nunca subestimem uma adoradora de Agnes Varda.

“Veneramos o incomum,
o inusitado.
Mas gostamos da emoção.
E da realidade que mostra,
de forma doce,
a dureza de sentir tanto.”

Fernanda Mello.

Vida e Destino?


“Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba”

Parece-me que a energia que nos envolve é algo singular.
Tudo esta entrelaçado!
E dessa massa de átomos, moléculas
e formas que se transformam, tal qual um balé quimico, nasce a tradução mais perfeita do que poderíamos chamar de…

“Coincidências”

Oscar wilde escreveu que toda arte é absolutamente inutil.

Acusar-me-ão alguns desavisados, que estou completamente tolo; ou que o mestre Wilde deixou-se dominar por suas desilusões e tornou o perjúrio como moeda para pagar suas desavenças com o destino.

Porem, não…
A arte reside em si, na sua beleza, na metáfora dos signos, na ilusão dos sons, das cores, dos traços e contornos,percorrendo todas as
nuances do universo paradoxal do ser.
E a relação com a arte, seja qual for, é algo, ao mesmo tempo, profano e divino.

Profano, pois nossa imaginação não tem censuras…
Ás favas , as censuras!!!

É Divino, por ser a manifestação acima das desinências humanas.

É de Deus!!!

E coincidência e arte, existe?
Ou melhor: a arte é uma coincidência?
Se não sei o que desta arte, se não sei por que desta arte, isto então é coincidência?

O que o artista imaginou quando descreveu suas angustias?
Seus amores?
Suas agruras?
Suas alegrias?
Seus interesses?
Seus sonhos?

Ou serão nossos?

Não é esta a prova, artigo irrefutável portanto, de que somos dos mesmos átomos, rearranjados pelo cálculo probabilístico das matemáticas e, que num dia qualquer dessa longevidade juvenil humana, ousaram nomear-lhe uma relação…

Vida e Destino?

Decididamente, coincidências não existem…

Acaso?

 Rodrigo Marchesin.